Era uma vez a Lagoa de Saquarema, espelho d'água que refletia o céu azul e as histórias de gerações de pescadores artesanais. Mas hoje, ao olhar para a lagoa, vê-se um cenário desolador. O brilho do passado deu lugar a um espelho turvo, emoldurado por sinais gritantes de poluição e abandono.
Por oito longos anos, a lagoa foi esquecida, como se sua importância tivesse se dissolvido nas águas sujas que agora a preenchem. A falta de investimentos tornou-se uma sentença de morte lenta para este ecossistema vibrante. O assoreamento avança como uma doença implacável, sufocando a vida que antes fervilhava em suas profundezas.
Os pescadores artesanais, antigos guardiões da lagoa, são hoje fantasmas de uma era melhor. Suas redes, que outrora retornavam pesadas de peixes, agora trazem apenas detritos e silêncio. A pesca, fonte de sustento e tradição, se transformou em um ofício quase impossível. As histórias de fartura que contavam a seus filhos e netos são agora lembranças amargas de um tempo que parece cada vez mais distante.
A comunidade sofre. A falta de peixes não é apenas um problema econômico, mas também um golpe na identidade cultural dessas famílias. Os pescadores não sabem fazer outra coisa, mas como continuar a pescar quando a lagoa lhes devolve apenas promessas quebradas? A vida simples e digna que levaram está sendo corroída pela negligência e pelo descaso.
Cada recanto da lagoa conta uma história de abandono. As margens, antes verdes e vivas, estão agora cobertas de lixo. A água, que já foi um convite ao mergulho, exala um cheiro fétido que afasta qualquer um que se aproxime. As aves migratórias, que faziam da lagoa seu refúgio, buscaram outros destinos, deixando um silêncio desolador em seu lugar.
As autoridades, em seus gabinetes distantes, parecem surdas aos clamores da lagoa e dos pescadores. Promessas de revitalização surgem a cada ciclo eleitoral, mas somem com a mesma rapidez com que foram feitas. A lagoa não precisa de promessas vazias; ela clama por ações concretas, por um olhar atento e comprometido que veja além dos discursos.
A Lagoa de Saquarema, uma joia natural, transformou-se em um reflexo da inércia e do abandono. Mas ainda há esperança. Em cada pescador que insiste em lançar suas redes, em cada morador que se indigna e exige mudanças, reside a semente de um futuro melhor. A lagoa, apesar de seu estado atual, tem uma resiliência que ecoa naqueles que dela dependem. Resta saber se essa resiliência será suficiente para superar a negligência de oito anos e florescer novamente, ou se a indiferença a levará ao esquecimento definitivo.